No início de 1985, o escritor e editor Mark Grunewald escreveu a mini-série “O Esquadrão Supremo”, na Marvel Comics, onde heróis que eram cópias da “Liga da Justiça” da editora rival (DC), que habitavam uma realidade paralela decidem resolver os problemas da Terra assumindo o controle dela de forma ditatorial. No ano seguinte, o inglês Alan Moore criaria o que, para muitos, foi a melhor história de super-heróis de todos os tempos, “Watchmen” (DC), que guardava uma visão perturbadora bastante parecida com a obra de Mark Grunewald.
Maturidade não era um assunto estranho no universo dos heróis. Em 1969-70, Denny O’Neal e Neal Adams criaram uma série de histórias que tratavam de racismo, preconceito religioso, corrupção e uso de drogas por jovens que sacudiram o mercado. Os heróis da revista eram o Lanterna Verde e seu amigo, o Arqueiro Verde. Se avançarmos o tempo até os anos oitenta, chegamos ao nome de Frank Miller, que assume a revista do Demolidor, que estava para ser cancelada pela Marvel. Nela, o advogado cego Matt Murdock era apresentado como um homem em tormento, apaixonado por uma assassina, perdido em decepções e fracassos. Incensado pelo sucesso, Miller é convidado pela DC para apresentar, em 1986, sua versão de uma das suas personagens mais importantes, Batman.Surge o “Cavaleiro das Trevas”, mostrando um herói setentão, cercado pela anarquia, perversão e ladrões no poder. Num acesso de fúria revestida de vaidade, o homem velho retorna para o manto do morcego, para acrescentar a sua loucura pessoal de princípios e máscaras a esse cenário.
Foi necessária uma reconstrução absoluta das personagens. Quem leva isso mais a sério é a DC com a série “Crise Nas Infinitas Terras, onde diversos heróis morrem e universos paralelos são destruídos para o estabelecimento de um totalmente novo. Todas as origens precisam ser recontada. Os anos oitenta então conhecem um novo Super-Homem, entre outros remodelados, e parecem tentar organizar a forte onda distópica que marcou sua metade.
(Foto 1. Um dos mais conhecidos do começo da história em quadrinhos com o "Cavaleiro das Trevas")
O selo de editora inteiramente voltada para histórias adultas é criado com imenso sucesso: VERTIGO, administrado pela DC, que recolhe as melhores experiências maduras realizadas em algumas das revistas, notavelmente “O Monstro do Pântano” e “John Constantine – Hellblazer, que vai resultar na maior obra prima dos quadrinhos para a próxima década: “Sandman”, de Neil Gaiman.
(Foto 2. Acima, ilustrando um dos famosos da época, o Demolidor.)
No caso da Marvel, Frank Miller retorna ao personagem que lhe deu fama, o Demolidor, para escrever seu melhor roteiro: a saga “Born Again” (“A Queda de Murdock”), onde o herói tem sua vida inteiramente destruída para descobrir, no final, que ruínas existenciais fornecem novos espaços para novas construções numa vida nova. Nada mal para uma década marcada pela visão pessimista numa mídia que antes não era para ser levada a sério. Atualmente, Miller, Moore e Gaiman são vendidos em álbuns de luxo na Europa.


Nenhum comentário:
Postar um comentário